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  A Brutalidade Chique
[por Marcelo Vilela ]
 
 


Vamos pegar pesado, conhecer o sexo dos selvagens?
Através da literatura podemos tudo até conhecer universos que jamais estivemos ou que jamais existiram.

Conheça o verdadeiro dossiê S&M : a origem do sadomazoquismo e como ele foi vendido pela mídia através da arte, moda ,literatura, cinema e suas influencias no rock.
Se deixe envolver por esta “brutalidade Chique”.

O sadomazoquismo é um jogo entre pessoas maduras onde existe o dominador e o dominado, ambos a procura dos limites entre a dor e do prazer.Normalmente os adeptos desta pratica, geralmente são pessoas sensíveis e de ambos os sexos. Afinal, o jogo se concentra muito mais nas fantasias do que na relação sexual, o que vai do grau de intimidades entre os participantes.

 
 
 


Os objetos normalmente usados São corrente, algemas, chicotes, velas derretendo e para os mais ousados: agulhas, piercing, choques...

O sadomazoquismo também pode chegar ao sexo “bizarro”, depende dos limites do praticante que pode ser um “fetichista” que apenas aprecia a estética S&M ou aqueles que querem sentir dor de verdade ou chegar a pontos “bizarros” sentindo-se atraídos por fezes, sangue, urina...
A subcultura S&M vem desde a antiga Grécia mas entrou para literatura através do escritor “Marquês de Sade”.

Por volta de 1974, marcou forte presença na moda e na arte, através do movimento gay e nas novas tendências do rock que vinham se formando.

Para entendermos estas ligações vamos voltar aos primórdios.

No final da década de 40, publicações que tratavam de músculos e formas físicas tais como o “Grecian Guild Pitorial” e “Phisique Pictorial”começaram a incluir fotografias e desenhos dirigidos a um crescente publico gay, os modelos pousando em trajes de banho e tangas, personificaram o homem ideal,George Quaintance, ilustrador e pintor americano, contribuía para o e “Phisique Pictorial”e, antes de sua morte em 1957, produziu uma serie de pinturas de cowboys e marinheiros nus que projetavam o atletismo tipicamente americano de Johnny Weissmuller( O nadador Tarzan).

Foi o artista Finlandês Tom of Finland, no entanto, quem apontou para um novo homoerotismo abertamente sexual.

Estimulados por lembranças dos soldados alemães durante a “Segunda Guerra Mundial”, ele criou desenhos de homens em jaquetas de couro preto, capacetes de motociclistas e botas de cano acima dos joelhos Que focalizavam o macho carrasco, viril.

Era uma imagem que se tornaria mais e mais visível à medida que o crescente movimento pelos direitos gays que ajudava a pagar o estilo.Comportamental dominante, exageradamente afetado, por conta do qual alguns homens adotavam maneirismos femininos.

Em contra-partida disso, os ativistas gays promoveram a idéia de que pode ser ao mesmo tempo gay e viril. O que serviu para atrair a atenção para anteriormente oculta, subcultura, onde homens em leather bars (leather significa couro) que na gíria significa rude, estúpido ou tudo que se relaciona a este comportamento gay e viril.

Esses homens encenavam complicados roteiros da relação senhor – escravo que punha em xeque a masculinidade de cada um.Como as figuras no desenho tom of finland, os devotos do culto leather, tinha uma predileção por botas, capacetes de motociclista, algemas e algumas vezes símbolos nazistas. Era o Maximo do estilo carrasco!

Por volta de 1974 as ruas de Christofher e West em Nova York Haviam se transformado no centro do que muitos jovens acreditavam ser um admirável mundo novo da liberdade sexual e uma cultura de “Clones” se desenvolve em torno do homem ultra masculino ou carrasco.

Os clones extraíram suas inspirações das noções estereotipadas de tipos masculinos tais como: policiais, Cowboys, operários de construção, fisiculturistas e se trajavam de acordo com suas fantasias. Somando-se as jaquetas pretas ou camisas de flanela com botas de trabalho, usavam também camisetas justas, calças Levi`s de braguilhas abotoadas (Com um dos botões abertos), penduravam chaves e lenços nos bolsos de seus jeans como indicação dos atos eróticos que preferiam e das posições sexuais favoritas.

Por exemplo, a cor do lenço vermelho: significava fistfucking, azul era ativo, rosa passivo, etc... Alguns usavam todas as cores como arco-íris o significado era que gostava de tudo.Também usavam os cabelos cortados bem rentes todos no mesmo estilo e tinham o mesmo corpo torneado pela ginástica, revestidos pelos mesmos uniformes. Embora os clones se parecessem, suas atividades sexuais tinham se tornado tão especializadas que eles agora se dividiam em subcategorias eróticas: “senhores” que buscavam “escravos”, Fetichistas que erotizavam botas, luvas, suportes atléticos.

O sociólogo Martin P. Leviene, num ensaio que aparece em Gay Culture in América (A cultura gay na América), descreve os clones como tendo a aparência de um “homem da Marlboro drogado e sexualizado”.

O sadomazoquismo era praticado apenas por uma pequena porcentagem da população gay, mas o visual e equipamentos estavam por toda parte, No West Village, acessórios S&M, como pulseiras tacheadas, cordas corrente e fantasias fetichistas,eram vendidos em lugares como o Marquis de Suede eo Pleasure Chest.

Na mesma época a diretora de cinema italiana Liliana Cavari lançou “O porteiro da Noite”, a historia dodô oficial da SS (representado por Charlotte Rampling).No ano seguinte o S&M estava tão infiltrado na cultura do consumidor americano que era usado para vender qualquer coisa, desde roupas a discos.
O estilo foi descrito por uma feminista como “Brutalidade Chique” que na época, ficou bem evidente no trabalho dos fotógrafos de moda Helmut Newton e Chris Von Wangenheim.Newton foi responsável por um controvertido editorial de pagina dupla na Vogue intitulado “Story of Ohhh” (filme erótico sadomazoquista) que terminava com um homem agarrando sadicamente uma mulher pelos seios.
Von Wangenheim criou um anuncio de sapatos com a fotografia de um dobermann mordendo o tornozelo de uma mulher.

O fotografo Ara Gallantt mais tarde levou a “Brutalidade Chique” ao extremo quando idealizou o outdoor do Sunset Boulevard para o disco dos Rolling Stones, “Black and Blue” (também significa hematomas), Haren Durbin descreveu a imagem em The Village Voice: O cartaz mostrava uma mulher de aparência devidamente sensual (cabelo desalinhado, boca projetada) e usando um traje mínimo, que um dia bem poderia ter sido um vestido artisticamente rasgado. Estava também machucada e enfaixada pendurada pelos pulsos, com as pernas bem abertas e a genitália repousando sobre o disco.A legenda dizia “Estou Black in Blue por causa dos Rolling Stones e adoro isso!”

O fotografo Robert Mappletorpe (Grande amigo de Patti Smith) fazia um trabalho diferente e conseqüentemente perturbador para os padrões da época e em vez de uma mulher amarradas com cordas em uma pose padrão na pornografia hetero - Ele tinha a ousadia de virar a mesa e revelar todo um universo de homens submissos , não faziam absolutamente nenhuma referência ao mundo exterior , seus homens eram escolhidos exclusivamente pelas suas predileções sexuais S&M .

Através destes artistas e revistas da época, a “América entra na do sadomazoquismo” influenciando rock e algumas das novas bandas que se formavam no inicio da era punk, adotam a “proposta estética” como meio de promoção, disparando a venda de acessórios S&M e a moda passa a tratar o estilo por “Fascismo Fascinante”

 

 
   
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